Como as variáveis de planejamento social, centralização econômica e distribuição de recursos agrários afetam a estabilidade da oposição institucionalizada? Na teoria política dedicada ao estudo da democratização, a transição de regimes fechados para sistemas amplamente competitivos – as poliarquias, que articulam contestação pública e inclusividade – é influenciada por condicionantes socioeconômicas estruturais. Em perspectiva poliárquica, a respeito das correlações entre ordem socioeconômica, pluralismo e competição política, analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta as corretas.
I. Postula-se que um regime político largamente competitivo dificilmente se mantém sem uma ordem social pluralista, visto que uma estrutura social centralmente dominada é expressivamente mais favorável à manutenção de um regime hegemônico.
II. No âmbito das sociedades agrárias, identificam-se duas variantes principais: a sociedade camponesa tradicional, associada a desigualdades extremas e à hegemonia; e a sociedade de agricultores livres, caracterizada por maior igualdade na distribuição da terra e por uma dinâmica favorável ao desenvolvimento da competição política.
III. Esclarece-se que a instituição da propriedade privada é, por si só, uma condição tanto necessária quanto suficiente para garantir a existência de uma ordem social pluralista e para a sustentação de um regime competitivo estável.
IV. Sob essa perspectiva analítica, a contestação pública e a ampla participação podem subsistir em países com uma economia descentralizada, independentemente da forma jurídica de propriedade (pública ou privada) adotada pelo sistema.
V. Adverte-se que a contestação pública e a democratização estável provavelmente não existirão em um país caracterizado por uma direção altamente centralizada da economia, dado que a extrema concentração dos recursos socioeconômicos tende a consolidar uma ordem social centralmente dominada.