Os dois trechos a seguir tratam de um mesmo tema: os vazios demográficos no Paraná no século XIX. O primeiro faz parte de um livro de Lúcio Tadeu Mota, publicado em 2012. O segundo foi publicado por Wilson Martins em 1955.
“A princípio tudo representava um panorama selvático. O seio da terra virginal, recoberto de florestas seculares, abrigava tesouros inestimáveis de fecundação e fertilidade, prontos para fornecerem colheitas dadivosas [...]. Havia, de primeiro, a terra protegida pela floresta imensa. E lentamente a floresta, a floresta tão exuberante e impenetrável, cedia lugar àqueles homens intrépidos e valentes”. Frases como essas acima, de diferentes autores, são comuns nos escritos sobre a História do Paraná. Construiu-se a ideologia de que esses territórios estavam vazios, desabitados e prontos a serem ocupados [...].
(MOTA, Lucio Tadeu. História do Paraná: relações sócio-culturais da pré-história a economia cafeeira / Maringá: Eduem, 2012, p. 11.)
[...] a província era nesse momento [quando da emancipação política], do ponto de vista humano, um ilimitado deserto, interrompido irregularmente por dezenove pequenos oásis, situados a distâncias imensas uns dos outros – e distâncias literalmente intransponíveis, pois, além dos “caminhos históricos”, que iam revelar dentro de pouco não serem “caminhos econômicos”, nada existia que pudesse prenunciar uma rede qualquer de comunicações. [...] Em compensação, na maior parte do território o vazio era absoluto: eram os “campos gerais”, era a floresta, era a Serra do Mar.
(MARTINS, Wilson. Um Brasil Diferente. São Paulo: Anhembi, 1955, p. 71.)
Considerando os dois fragmentos citados, assinale a alternativa correta.