Mulher de 32 anos, com diagnóstico prévio de transtorno bipolar tipo I em uso irregular de lítio e olanzapina, é trazida ao pronto-socorro por familiares devido a quadro de mutismo, imobilidade e recusa alimentar há quatro dias. Familiares relatam que, duas semanas antes, a paciente apresentou episódio de exaltação do humor, aceleração do pensamento, diminuição da necessidade de sono e gastos excessivos, tendo sido aumentada a dose de olanzapina de 10 mg para 20 mg ao dia pelo psiquiatra assistente. Há quatro dias, apresentou piora súbita com surgimento de imobilidade progressiva, permanecendo sentada na mesma posição por horas, recusando-se a falar, comer ou beber. Não apresentou febre ou alterações autonômicas significativas. Negam uso de outras medicações além do lítio e olanzapina. Ao exame físico: paciente vigil, tem olhar fixo sem acompanhamento visual, não responde a comandos verbais, mantém postura sentada com braço direito elevado em posição incomum há vários minutos; pressão arterial 118 x 76 mmHg, frequência cardíaca 88 bpm, frequência respiratória 16 incursões por minuto, temperatura axilar 36,8 °C. Exame neurológico: pupilas isocóricas e fotorreagentes; quando o examinador tenta posicionar passivamente os membros da paciente, há resistência leve e constante com manutenção da posição imposta (flexibilidade cérea), ausência de movimentos espontâneos, reflexos tendinosos profundos normais e simétricos, reflexo cutâneo-plantar em flexão bilateral, ausência de rigidez em roda denteada ou tremor de repouso. Exames laboratoriais: hemograma completo normal, função renal e hepática normais, eletrólitos séricos normais incluindo cálcio e magnésio, glicemia 92 mg/dL, creatinoquinase 180 UI/L (VR: 26-192 UI/L), hormônio estimulante da tireoide normal. Tomografia computadorizada de crânio sem contraste não evidencia lesões agudas, hemorragias ou efeito de massa. Eletrocardiograma: ritmo sinusal, frequência cardíaca 88 bpm, intervalo QTc 410 ms, sem outras alterações. A conduta inicial apropriada para diagnóstico e tratamento dessa paciente é:
Q166818 – Médico – Fundação Getulio Vargas 2026
Ano:2026Banca:Fundação Getulio VargasÓrgão:Tribunal de Justiça do Estado do Rio de JaneiroProva:FGV - 2026 - TJRJ - Analista Judiciário - Médico
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