O torso arcaico de Apolo
Não sabemos como era a cabeça, que falta,
De pupilas amadurecidas. Porém
O torso arde ainda como um candelabro e tem,
Só que meio apagada, a luz do olhar, que salta
E brilha. Se não fosse assim, a curva rara
Do peito não deslumbraria, nem achar
Caminho poderia um sorriso e baixar
Da anca suave ao centro onde o sexo se alteara.
Não fosse assim, seria essa estátua uma mera
Pedra, um desfigurado mármore, e nem já
Resplandecera mais como pele de fera.
Seus limites não transporia desmedida
Como uma estrela; pois ali ponto não há
Que não te mire. Força é mudares de vida.
Rainer Maria Rilke. Torso arcaico de Apolo. Trad. Manuel Bandeira. In: Manuel Bandeira. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1992, p. 361.
Assinale a opção correta acerca de aspectos linguísticos do texto acima.