A nova forma de gestão de território implantada na Amazônia nas décadas mais recentes gerou inúmeros protestos das sociedades atingidas, algumas ruidosas, como passeatas, ocupação de instalações, e algumas silenciosas e poéticas, como o poema abaixo, de autoria do geógrafo Edir Augusto Dias Pereira, morador da cidade de Tucuruí.
Tocantins (fragmentos)
Barraram esse rio Abro os braços Tocantins menino! E te recebo peregrino
Determinaram meu destino Barraram o meu destino, Sem me consultar E seduziu-te a eletricidade Não me perguntaram o que eu queria! Vieste em busca do trabalho Não quiseram saber do que eu necessitava! Encontraste a necessidade Não consideraram o que eu vivia! ................................................
Trouxeram-me a modernidade! Ó cidade ribeirinha ................................................ As luzes dessa usina Afogaram tuas tribos Que consomem o teu rio.
Submergiram teus filhos Chora Tocantins, Barraram teu caminho! ................................................
................................................ Um trem que aqui passou Sem me consultar! Um rio que aqui passou Vejo uma cidade pobre ................................................
Eu choro Um futuro que não veio, ................................................ Como nos prometeram O rio levará tuas lágrimas! Edir Augusto Outro rio, o rio de asfalto Trará o que te falta! ................................................
Com base na leitura do poema e em conhecimentos geográficos sobre a reordenação socioespacial da área de implantação da hidrelétrica de Tucuruí, pode-se afirmar que