[...] De fato, o professor precisa empenhar-se na criação das condições que o levem além do arremedo para que consiga trabalhar na superação de um tal projeto, tendo a clareza de que não há outra instituição com chances de assumir, nem em forma de arremedo, uma tal responsabilidade, com exceção talvez de alguma família que tenha condições econômicas, culturais e materiais de acumular livros em casa e de promover um grande esforço de resistência aos filmes e desenhos animados da televisão, que suprem a necessidade de fantasia e de narrativa que as crianças da era pré-televisão eram obrigadas a saciar nos livros, nas histórias em quadrinhos e no cinema semanal. A escola, no entanto, sabendo que a realidade da esmagadora maioria das casas de seus alunos é muito diferente dessa, que o mais comum é nelas não haver sequer quem os possa ajudar nos trabalhos escolares – e muito menos livros e resistência à televisão –, a escola, se quiser trabalhar direito, não pode contar com isso.
Leitores formam-se, para começar, com muita leitura: a leitura é também uma técnica de decodificação de sinais que precisa ser praticada para ser dominada com desenvoltura; é um treinamento dos olhos para passar da decodificação das letras e do seu relacionamento com o som que representam e chegar à etapa da leitura da imagem gráfica da palavra e à etapa da leitura de grupos de palavras. [...]
GUEDES, Paulo Coimbra. A formação do professor de Português: que língua vamos ensinar? São Paulo: Parábola, 2006. p. 65. Segundo o texto, é tarefa do professor de Língua Portuguesa: